Meu Bem, meu presente
Tinha nove anos. Morava numa casa simples, longe da cidade, na
sala apenas uma mesa e dois grandes bancos de madeira. Um sábado por mês ele chegava com seu pai, numa
carroça puxada pela velha mula chamada Fineza. Esses encontros ou visitas aconteciam
porque o senhor Mário, seu pai, era dirigente da Congregação Batista daquela
região. Como era muito tímida (ainda sou), ficava espiando por entre a fresta
da porta e, se meu pai pedia a presença de todos na sala, me acomodava de modo
a vê-lo sem chamar atenção. Quando iam embora me perguntava por que aquele
garoto despertava em mim tanta curiosidade! Prometia a mim mesma que na próxima
visita estudaria mais cuidadosamente aquele rosto e enquanto pensava, já sabia
exatamente o que não gostava nele. Acontece que esses encontros eram sempre à
noite e a iluminação era com as lamparinas, ah, como gostaria de vê-lo de dia!
Depois de alguns meses decidi que não gostava dele, era muito branco e tinha
muitas sardas. Com o templo de nossa igreja estabelecido num vilarejo mais
próximo, essas visitas deixaram de acontecer. Cresci. Quando o vi anos mais
tarde, já era um moço, corpo bonito, as sardas? Continuavam lá, mas já não
faziam diferença para mim. Um dia minha mãe se mostrou curiosa sobre a frequência
dele aos cultos e por tê-lo pego de olhos abertos na hora da oração olhando
para mim! O fato de não fazer o curso Admissão, existente na minha época de
escola lá no Paraná, fez com que concluíssemos o antigo ginásio no mesmo ano. Começamos
a namorar na minha formatura, em dezembro de 1977, nos casamos em 24 de
fevereiro de 1979. Continuamos os estudos, mesmos casados. Ele sempre me chamou
de Bem e eu também sempre o chamei assim. Sabemos que somos exatamente isso um
para o outro. Isso faz com que haja grande cuidado, zelo, respeito entre nós. É
extremamente prazeroso estar com ele, sentar para conversar, seja sobre uma
notícia de jornal, sobre nossa família, um texto bíblico ou um trabalho. A
oração matinal e vespertina são momentos especiais, assim como o abraço para
começar o dia, são marcas importantes para nós. Nos surpreendemos, quando mesmo sem terminar uma frase o outro já
entendeu e completa. Não Pense que nossa rotina é monótona! Discutimos, há
divergências e às vezes até nos magoamos, mas já sabemos o caminho do acerto chamado
perdão. Integridade, honestidade, sinceridade fazem parte de sua vida, seu
caráter. Simples, bondoso, amigo, companheiro, amoroso, homem de comunhão com
Deus. Amo esse homem, presente grandioso do Eterno, especialmente para mim.
Bom domingo, bjs










